Friends – Chegar à “adultidade”

8 Janeiro, 2007 às 9:43 pm | Publicado em Tê Zéro | 2 comentários

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Há cerca de três semanas cheguei finalmente ao final da série “Friends”. Parecendo que não, aqueles meninos (David Schwimmer, Courteney Cox, Matthew Perry, Matt LeBlanc, Lisa Kudrow e Jennifer Aniston) passaram dez anos juntos a gravar episódios. Dez anos ainda são uns quantos. Imaginemos que começaram a série lá pelos vinte e qualquer coisa. Dos vinte e tais até aos trinta e muitos acontece muito pela vida de cada um. Tal como a série mostra, passa-se de jovem desorientado a gente com ideias de futuro, e estes seis actores tiveram a possibilidade de fazer uma mescla de realidade com ficção, conseguindo para além disso manter cinco amigos que ficaram.

Agora vejamos: não deixando de lado o período conturbado de adolescência e puberdade e etc. etc… (o que não falta praí são séries que focam e refocam a vida dramática do adolescente), “Friends” fundou-se numa premissa simples que trouxe a inovação de tocar num ponto da vida muito pouco estável.

É o primeiro emprego ou a falta dele, é a incapacidade de perceber que não se tem jeito para cantar ou não que se gosta do trabalho de contabilidade e análise de dados que se faz repetidamente há anos… é o tempo passado naquele café ou em certos bares ou na sala de um apartamento que praticamente serve de cenário para dez anos… são os jogos de matrecos, são as competições raparigas vs. rapazes… animais de estimação pouco convencionais, gatos fedorentos… amigos que apesar de pouco inteligentes nos são indispensáveis ao dia-a-dia… amigos do grupo de amigos que ao fim de anos acabam por se apaixonar (e não é esquisito, é apenas… natural.)… o primeiro casamento dos amigos!

A tudo isto se impõe uma palavra: mudança. Mas já não estamos a falar da mudança física. Já não é a tal borbulha chata (se bem que elas ainda andam aí) ou a voz estranha que tem a mania de ressoar na cabeça ou no peito consoante lhe apetece. Porque já não se é adolescente. O problema é que também ainda não se é adulto. E assim a coisa complica. Porque queremos começar a nossa vidinha mas custa deixar o quentinho do “aquecedor”. Porque isso implica a mudança. E ela assusta um bocadito.

Daí os “friends”. Aqueles que ajudam nessa fase. Aqueles que compreendem porque também estão a mudar. Aqueles que fazem connosco essa “viajem” da urbe para a lezíria. 🙂 , da adolescência para a “adultidade”.

Confesso que em muitas partes da série me surgiu a lagrimita ao canto do olho. Mas apesar de me ter sentido dentro da vida destes seis, não por eles que ela veio. Foi com as pequenas coisas que em comum já vi acontecerem comigo. Seja pelo mau canto de todos, pelos encontros no nr.1 da rua de cabo verde, pelo convívio nesse belo apartamento do campo grande, pela burrice de certas personagens que enchem o dia , pelos “pictionary” raparigas vs. rapazes ou pelas relações que surgiram, certo é que, mais do que quando via o último episódio de “Friends”, a lagrimita surgiu em toda a sua força quando se ouviram as doze badaladas que a RTP trouxe à vivenda quentinha da Foz do Arelho. Mesmo por aqueles que lá faltavam.

Eu mandei-a embora porque sou uma gaja forte. 🙂 Ficaram os olhos brilhantes. E Ficaram os meus “friends”. Bigada

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